Paganismo: a voz do sangue
 

Há muitas maneiras de chegar a se interessar por isso que chamamos de forma genérica Paganismo. Alguns chegam a isso através de sua estética, seus mitos e força. Outros por um desejo de se unir à tradição de nossos povos, outros por uma rejeição ao cristianismo e ao mundo neo-cristão (o cristianismo laico do marxismo e do progressismo), outros por motivações políticas e também há os que chegam pelo esoterismo.

 

Mas para mim, como para outros camaradas nos inícios dos anos 70, o paganismo chegou de uma forma indireta: chegamos ao paganismo pelo entendimento de seus princípios cosmológicos, não por suas formas ou sua magia, senão por sua essência.

 

O paganismo não é uma religião, não pretende ser uma nova religião, pelo menos para muitos pagãos, senão que foi um conjunto de crenças espirituais, religiosas e pessoais, sociais e filosóficas, que refletiam uma Concepção do Mundo. É essa Concepção do Mundo a qual nos atraiu, e a qual nos levou a ser pagãos. Depois vimos que toda essa estética maravilhosa do paganismo, seus símbolos, sua magia e seu esoterismo, tudo era reflexo desses princípios, era uma forma de falar implícita dos princípios gerais.

 

O paganismo moderno, posterior à Guerra, nasce nos anos 1968, quando um bom número de nacional revolucionários jovens adquirem o destaque dos velhos militantes do nacionalismo anterior. Esses jovens procuram uma forma nova de expressar a cosmovisão fascista, uma forma geral de expor na modernidade os princípios básicos de Alternativa ao Sistema, mas sem se basear nas formas de 1939.

 

Esta alternativa essencial se encontra numa série de princípios muito gerais:

 

- Respeito à Natureza e suas leis globais.

 

- Sentido da diferença e respeito a essa diferença, à identidade e as raízes.

 

- Repulsão ante o materialismo e o individualismo, sentido de Comunidade.

 

- Respeito a um Estilo e a uma Ética, mas rejeição às Igrejas e aos dogmas, as morais, à concepção teocrática e monoteísta de deus.

 

- Espiritualidade natural frente ao materialismo e o egoísmo do prazer, mas também frente à tristeza de considerar o mundo como um vale de lágrimas. Admiração pela força, pela beleza, pela alegria, pelos animais e por tudo o que implica luta e esforço.

 

No “Redescobrimento” da Grécia e de Roma como ideal de Império e de Comunidade, de Arte e de Nobreza, frente ao mundialismo, ao Bezeirro de Ouro e a Jerusalém.

 

Estas idéias básicas e outras muitas mais nos levavam a um confronto com as concepções cristãs que até então tinham sido a base espiritual do nacionalismo em quase todos os casos, com raras exceções.

 

Este debate intelectual e sentimental nos levou a redescobrir o fato pagão, que já tinha sido tratado por alguns centros do arianismo e pelo NS nos anos 20 e 30. Mas o modo foi bastante diferente. Se nos anos 20 foi o arianismo, os grupos de racismo radical, os que levaram o paganismo como forma de se “entroncar” com a raiz racial, com as tradições antigas dos povos e procurar nestas tradições a identidade perdida com o mundialismo demoliberal, nos anos 70 não foi o racismo o modo de encontro com o paganismo, senão sua concepção do mundo e seu sentido artístico da beleza e da Honra.

 

Podemos dizer que foi a Grécia a alternativa frente ao Sistema. Como disse Bernard Levy, a decisão foi sempre entre Atenas ou Jerusalém. O Sistema impõe Jerusalém, a Alternativa estará sempre em Atenas. E Atenas é a essência do Paganismo, sua máxima expressão cosmológica.

 

Daí que o primeiro grande centro cultural paganista foi GRECE, Grécia em francês, como acróstico do Grupo de Busca e Estudo da Cultura Européia.

 

O paganismo como Cosmologia é antes de mais nada alegre, anti-conversão, diversão, artística e heróica.

 

Frente ao pensamento unitário demo-liberal e ao Mundialismo apresenta a idéia de Comunidades autônomas e auto-centradas, em convivência não agressiva nem aturada. Opõe-se ao mundialismo das idéias e à atual ocidentalização (judaização no fundo) de todo o mundo. Frente à igualdade democrática a diversidade segundo os méritos. Frente ao mercado do sexo e da inquisição repressiva conservadora a alegria do corpo e a força como reflexo de um espírito são e cultivado. Frente à idéia de “coisa” e de utilidade nos animais e na Natureza, a concepção do homem como parte unitária com os animais e a Natureza.

 

Frente à caridade indiscriminada a Justiça de dar a cada qual o que merece e entre ela dar castigo ao culpado. Frente ao Mercado como Norma e a Usura como realidade, o desprezo pelo monetário e sua subordinação a ser uma ferramenta para as necessidades reais.

 

E assim poderíamos seguir indefinidamente. Pode-se dizer que em TUDO o paganismo é a alternativa contrária ao Sistema atual. Depois desta constatação uma grande parte dos nacional socialistas e revolucionários a partir dos anos 70 se introduziram nesse mundo do paganismo. Em 1980 se editou a Bíblia pagã, com o livro "Como chegar a ser Pagão" de Alain de Benoist, editado assim mesmo em espanhol por um grupo de NS, e que expõe as bases essenciais do paganismo moderno.

 

Desgraçadamente apareceram alguns “desvios” inevitáveis, especialmente seitas e esoteristas, que às vezes deram um aspecto sectário e neurótico a estas idéias básicas.

 

O grande desafio do paganismo é compartilhar a cosmologia pagã com a aceitação de que NÃO acreditamos nos deuses, não somos wotanistas num sentido religioso-pessoal, como sucede no Cristianismo. Não existe Wottan como deus-pessoa, senão como Representação dessas idéias de nossa concepção global. Somos espiritualistas mas não sectários nem cartomantes, nem magos, nem adoradores de deuses pessoais. Somos pagãos porque acreditamos nos valores do Paganismo, da Grécia, num mundo infectado de Jerusalém.

 

Traduzido por Nacionalista88

 

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